terça-feira, 24 de março de 2009

Muros



Murros no escuro
Tiros em pontas de faca
Pelos sóbrios sabores soprados
Despejando soturnos ares de mágoa


Queria ouvir a voz não dita aos fortes cubos
Ditar os quadros bem quistos do mundo
Atar os nós da maldita cidade
Escorrendo pelas escadas
Grafar Lápides de menos vidro
Por aços cerrados de tanta vaidade
Enquanto a humanidade sucumbe...
Muros que pedrem horas que confundem

Tumbas de ódio e filhos de lágrimas

domingo, 22 de março de 2009

Tudo é verde



Tudo é verde
Mas só tenho sede e não tempo...
Vou correndo!
Ouvindo o barulho das uvas
Sentindo o cheiro da terra...
Revela!
Trago o pensamento no gosto
No gozo das vigens...
Dançando!
Seus corpos tão quentes e puros
Cobertos de cera...
Alucinam!
Maria fumaça dos trilhos Joana
insiste nos sons que agitam
Ouvido aberto...
Alucinam...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Relógio


Tempo

Tempo que somente tempo levo
tempo disparo
tempo tropeço
tempo confuso
tempo disperso
tempo fechado
tempo coberto
tempo tão esparso
tento entre tantos universos
entretanto quando paro
tanto tempo adverso
versos conversam
descompasso
tempo difícil
tempo aberto

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dias...


Dia do artesão

Criam-se dias de todos os dias
dias que postam dias que seguirão
dias inteiros até o meio dia
todos os dias de loucura
na crueza dura
dias de seca
dias de chão
Comemoram-se todos os motivos
dias de festa e de multidão
dias facheiros marcam a luz
raios de água ardente pesa
um banco de graça
e tudo passa
bem ali sentado com o tempo
contempla em seu templo na praça
sem apreçar a os dias... são dias sãos

Palhaço



O sorriso do palhaço triste desce
Borrões de matar a face tecem o couro
Botões e fios arrancados tergiversam
Ávida alma em espírito de outras eras
Olhar baixo sem pressa resta em prece
Onde o peito se encontra em conforto solo
Quadrados e riscos tão monótonos... feridas
Nariz cor de rosa ou delírios certos
Suspensos por suspiros atingem
A face faz-se livre ao tempo...tolo

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cálculo


Perto ao peito pulsa o tenso
pobre perpétuo calo
Daí posso fazer
o cálculo
do ângulo

entre aquilo que penso e o que falo...

terça-feira, 17 de março de 2009

Espelho


Quando te olho quase reflexo rosto
Um amargo e sagaz sutil espasmo
Desgosto e cismo em culpa que não vejo
Segredo sem pejo... doces memórias

Quando te olho e logo me perco...
Desfaço-me da trilha em mim consome

Narciso

No plano volátil lápis e livro
Imagem sem fim nem começo traço

Fecho o olho e não sinto a pálpebra
Arrocho o cinto da calça apertada
Nas pedras que induzem a minha calma
Lidar com a realidade lida na fábula

E quando te olho e quase me perco
Saio da rotina tropeço e caio
Atraso horas vermes que fazem cera
Cansaço!
Quando reflito escultura dormente

E saio